Arquitetura século XX
Ville Savoye- Casa em Poissy, França - Le Corbusier - 1928-1929
Passou-se quase que todo o século XX falando-se em modernismo e arquitetura moderna e louvando-se obras de mestres brasileiros como Oscar Niemeyer, Villanova Artigas e Lúcio Costa, entre outros, além de mestres internacionais como Le Corbusier, Mies Van der Rohe e Frank Lloyd Wright. Dentro da arquitetura moderna, duas correntes destacaram-se, a arquitetura moderna racionalista e a arquitetura moderna organicista. Nas últimas décadas deste século, mais precisamente a partir do final dos anos 70 e início dos 80, um novo termo passou a ser popularizado aqui no Brasil, inicialmente nos meios acadêmicos, o chamado pós-modernismo. Recentemente, a partir do início dos anos 90, outro termo passou a circular entre quem se envolve com arquitetura, o neo-modernismo. Mas, afinal, o que significam estes termos para a arquitetura, quais as diferenças entre estas correntes e no que refletem na vida das pessoas em geral?

Para iniciar, vamos fazer um rápido retrospecto da arquitetura ocidental no final do século XIX e princípio do século XX. Naquele período, a arquitetura era esteticamente dominada pelo neoclassicismo, que era a reedição adaptada dos estilos clássicos greco-romanos, pelo ecletismo, que era a mistura deliberada dos mesmos elementos greco-romanos e também dos renascentistas, e por movimentos mais focalizados como o "art nouveau" e o "art deco". Muito vinculada às artes plásticas, notadamente a escultura, aquela arquitetura tinha um processo de produção distanciado do dinamismo e das necessidades da nascente sociedade industrial. Ao mesmo tempo, as populações das grandes cidades cresciam num ritmo muito mais acelerado, devido às melhorias das condições de infra-estrutura e saneamento e ao progresso da ciência, aumentando significativamente a expectativa de vida do ser humano. Por outro lado, as novas fábricas, que proliferavam, necessitavam de mão de obra que morasse relativamente perto do trabalho, devido à precariedade do transporte público. A arquitetura daquela época não atendia estas demandas, era voltada para a execução de palácios, edifícios administrativos e comerciais ou moradias para a burguesia, quase sempre de caráter monumental. Havia a necessidade premente de dar uma resposta eficaz às solicitações de simplificação, rapidez de execução e redução de custos ditadas pelo novo mundo industrial.

Ora, simplificação, rapidez de execução e redução de custos são termos ainda hoje vinculados a processos racionais de produção.

A chamada arquitetura moderna racionalista surge justamente das novas necessidades da sociedade industrial com uma nova estética, marcada pela eliminação dos dogmas da arquitetura ocidental do século XIX, como a rigidez das formas e da imagem dos edifícios (ex.: simetria e ortogonalidade obrigatórias), decorativismo (elementos escultóricos) e elementos simbólicos. Outra característica da arquitetura moderna racionalista era seu propósito social de democratizar o acesso à arquitetura através da redução dos custos, obtida pela simplificação e pela padronização de soluções, a chamada "standardization" (uso de elementos repetitivos, muitas vezes industrializados, como portas e janelas, por exemplo).
Planta livre interior, repetição de elementos e modulação da estrutura.

As características básicas da arquitetura moderna racionalista podem ser assim resumidas:

Simetria e ortogonalidade não obrigatórias, mas sem proibição de seu uso;
Eliminação do decorativismo;
Eliminação do simbolismo;
Todos os elementos arquitetônicos deveriam ter uma razão para existir, dentro da lógica racionalista;
Uso de estruturas independentes das paredes dos prédios (viabilizado pelos progressos nas tecnologias de estruturas de concreto armado e metálicas), possibilitando a utilização de paredes de fechamento mais leves e flexíveis e paredes divisórias mais adequadas à planta dos edifícios, a chamada "planta livre";
Uso de áreas envidraçadas maiores (também viabilizado pelos progressos nas tecnologias de estruturas), aproveitando melhor a insolação e ventilação naturais, com melhor controle de doenças contagiosas, originando as janelas contínuas e as fachadas cortina (totalmente envidraçadas);
Volumes suspensos sobre pilares, os chamados "pilotis", deixando os térreos livres para circulação de ar e integração com a paisagem;
Adoção de vãos livres maiores (outro benefício dos progressos nas tecnologias de estruturas);
Uso de elementos de forma curvilínea ou orgânica isolados (reservatórios de água circulares, paredes em forma de "S", piscinas em forma de ameba, etc.);
Uso de elementos padronizados e repetitivos (esquadrias, por exemplo);
Relação direta da forma com a função (um hospital deve ter forma adequada a seu funcionamento) – vem daí a célebre frase atribuída a vários autores: "Form follows function." (A forma segue a função);
Unificação da composição das formas: o todo de um edifício deveria ser compreendido de maneira única, mesmo que composto por vários volumes;
Tentativa de adoção de um estilo único, independente da região ou país em que o edifício esteja sendo implantado, o chamado "international style" (estilo internacional).
Assimetria, repetição de elementos e grande superfície envidraçada (fachada cortina).
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